Decorreu com normalidade, mas igualmente com grande interesse o Dia da Europa na nossa Escola.
A Bandeira Nacional e da União Europeia, cartazes alusivos ao Dia da Europa e à comemoração do Ano Europeu do Combate à Pobreza e à Exclusão Social, trabalhos de alunos, filmes animados e clips vídeo sobre a Europa, a pobreza e exclusão social, tudo animado por músicas variadas, entre elas o Hino da Europa e o Hino Nacional Português, tudo contribuiu para o bom ambiente gerado e a visita à exposição de vários alunos, seja de forma mais demorada, seja de modo mais ocasional.
Um cartaz destinado à escrita de mensagens relativas ao Dia da Europa ou à pobreza e exclusão social, mostrou que os alunos se encontram sensibilizados para estes problemas. Um concurso cultural sobre a União Europeia envolveu diversos alunos.
Está assim de parabéns o nosso Departamento em geral, e o Grupo de Geografia em particular, pelo empenho e dinamismo empreendido a esta actividade.
Pobreza e exclusão social são a mesma coisa? Estão sempre ligadas?
Na ideia tradicional, pobreza era não ter recursos económicos, e como tal não poder chegar a determinados bens materiais, ou mesmo ficar com a saúde física e mental em perigo.
Os indicadores desta pobreza eram, são: baixo nível de rendimentos, habitações degradadas, modo de estar na vida.Hoje, a pobreza é muito mais do que isso, ou seja, a ideia de pobreza é global, tendo diversos indicadores tais como:
- a ausência de oportunidades de escolha
- Viver com dignidade, equilíbrio, auto-estima
- Ser considerado e respeitado pelos outros
Ser pobre não significa que se seja excluído, uma coisa pode levar a outra, ou seja, a pobreza, poderá conduzir a qualquer uma das diferentes formas de exclusão.
No ano passado, no Jornal de Notícias, a jornalista Eduarda Ferreira punha o dedo na ferida num belo artigo, chamando a atenção para o lado mais "distraído" da União Europeia, no que diz respeito à pobreza e exclusão social numa Europa que se quer solidária, atenta e defensora dos mais elementares Direitos do Homem. Vejamos pois esse artigo.
"Desempregados e idosos tidos como mais vulneráveis nos 27. Dinamarca, Suécia e Chipre são os optimistas .
2009-10-28 EDUARDA FERREIRA
Ir viver debaixo da ponte é pesadelo para 16% dos desempregados europeus e 7% dos que têm trabalho temem que esse cenário se apresente às suas vidas. A pobreza está a crescer na Europa, sentem os seus cidadãos, segundo o Eurobarómetro.
A percepção de 84% dos europeus sinaliza um aumento da pobreza nos seus países desde há três anos. Este dado é subjectivo e foi recolhido por inquéritos do Eurobarómetro feitos nos 27.
Portugal surge em quinto lugar nessa sensação transmitida de que a pobreza aumentou e muito (88% dos inquiridos). Os países em que ainda é mais acentuada essa ideia são a Hungria, Bulgária, Roménia e Letónia. Neste estudo de opinião, as conclusões indicam que 73% dos europeus consideram que a pobreza aumentou nos seus países. As excepções situam-se na Dinamarca, Chipre e Suécia, onde as taxas rondam entre os 30 e os 37% de inquiridos que traçam um quadro social mais negativo.
Há um dedo apontado quando se trata de atribuir as culpas ao empobrecimento: o desemprego ou salários insuficientes repartem-se quase igualmente. Só depois surgem as pensões ou prestações sociais baixas ou então o preço da habitação. Neste último domínio, nove em cada dez europeus consideram que a pobreza impede o acesso a uma habitação decente.
A pobreza, de acordo com a opinião de oito em cada dez cidadãos da UE, também limita em muito o acesso ao Ensino Superior e mesmo à educação em idade adulta. Foram também pedidas opiniões aos 27 mil inquiridos quanto a causas individuais da pobreza. O baixo nível de escolaridade, a falta de formação, a transmissão do estatuto de pobreza entre gerações e a dependência do álcool ou das drogas foram as causas mais referidas.
Portugal partilha com outros países do Sul da Europa a ideia de que se é pobre quando há a perda do apoio e laços com a família e os amigos. Entre as pessoas mais vulneráveis à pobreza, uma maioria dos inquiridos referiu os desempregados e depois as pessoas idosas. Aos olhos de 89% dos europeus, os governos nacionais devem agir com a maior das urgências para alterar o empobrecimento das populações. E essa responsabilidade é cometida antes de tudo a cada governo dos 27, segundo 53% dos inquiridos.
A maioria não considera que a luta contra a pobreza caiba às instâncias da União Europeia, ainda que estas possam ter um papel muito ou relativamente importante.
Em vésperas do Ano Europeu Contra a Pobreza e Exclusão Social, marcado para 2010, estima-se que cerca de 80 milhões (16% da população da UE) vivam abaixo da linha de pobreza. Este nível corresponde à situação em que uma pessoa tenha rendimentos inferiores em 60% ao rendimento médio em cada país. Certo é que, há já uma década, os líderes europeus se comprometeram a empenhar todos os seus esforços para erradicar a pobreza. O horizonte era 2010."
(Fotografia de Flávio Henrique, ex-aluno da nossa Escola)